quinta-feira, maio 31, 2007

Dia de Praia


Mais uma grande iniciativa da CGTP e suas congéneres, proporcionaram um dia de praia a algumas centenas de portugueses. Estou de acordo com a medida e acho até que se devia institucionalizar. Proponho desde já o dia 1 de Junho, de forma a coincidir com a abertura oficial da época balnear. Foi também para mim motivo de regojizo quando Carvalho da Silva afirmou que tinham conseguido fechar bastantes escolas, e algumas alas de hospitais! Bom trabalho! Foi certamente um dia de festa. Bom... talvez não para aquela malta que teve mesmo que ir trabalhar e teve de acordar ainda mais cedo para apanhar o autocarro superlotado...mas que interessa isso? A greve foi um sucesso!

quarta-feira, maio 30, 2007

Greve Geral

A greve é um direito que assiste aos cidadãos, e por isso não podem ser penalizados por ela, isto é, não devem descontar no salário o dia em que o indivíduo faz greve. O cumprimento dos direitos e deveres não dá direito a penalizações.
Só nos CTT, é que gostam e é apanágio da administração, controlar os funcionários que fazem greve, e depois penalizá-los não só financeiramente mas a nível profissional nos seus destacamentos. Isto é que não é profícuo para o país.
A única coisa que me desagrada é o facto de ainda ser apenas, na maioria, a função pública a fazer greve, e não todos os trabalhadores. É que as políticas do governo afectam todos e não apenas os do sector público. A ideia que os media têm passado ao entrevistar pessoas que dizem que foram prejudicadas pela greve, ou são do PS, ou então não têm noção de que a luta que é levada a cabo é mais que justa e que se fizessem parte dela as coisas já teriam mudado há muito.
Dizem que a economia pára, que o país sofre economicamente, mas o nosso país sofre economicamente todos os dias com as políticas neo-liberais deste governo PS, e essas políticas a longo prazo serão bem mais prejudiciais.
Continuamos pois, num Portugal em que a consciência política é mínima, e onde quem luta pelos seus direitos é criticado. Dor de cotovelo, falta de coragem, mais ainda de conhecimento dos seus direitos e deveres, e falta de um sentimento de Estado em que a liberdade tem de ser real e não sublimada em coletes de forças que se reduzem depois a números e comentários políticos que favorecem mormente o Governo.

A eterna protecção dos funcionários...

Sou um daqueles que apelidam este governo como uma ditadura encapotada.

Apesar disso, não percebo a polémica e a recura da Comissão de Protecção de Dados em não permitir que informáticamente se saiba quem fez greve.

Para quem não sabe, esses números serão sempre alcançados.

A diferença reside no calote que milhares de funcionários fazem ao estado, não declarando a greve e recebendo todo o ordenado indevidamente.

Será que os interesses instalados e os sindicatos vão continuar a ganhar esta batalha contra o País?

Mas afinal, quem sai beneficiado?

segunda-feira, maio 07, 2007

políticas liberais e "não neoliberais"

Apesar de todas as políticas praticadas desde o Chile de Pinochet até aos States de Bush, com todas as jogadas económicas, "a 'globalização' e 'neoliberalismo', como motores do crescimento económico e o desenvolvimento dos países, não reduziram as desigualdades e a pobreza nas últimas décadas" (Jomo Sundaram, secretário-geral adjunto da ONU para o Desenvolvimento Econômico, e Jacques Baudot, economista especializado em temas de globalização, in Flat World, Big Gaps).
Tiram ainda outras conclusões "A desigualdade na renda per capita aumentou em vários países da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico) durante essas duas décadas, o que sugere que a desregulação dos mercados teve como resultado uma maior concentração do poder económico." A liberalização do fluxo de capitais financeiros internacionais, que era apontada como uma maneira segura de fazer os capitais jorrarem dos países ricos para irem irrigar as economias dos países pobres, deles sedentos, funcionou exatamente ao contrário. O fluxo de dinheiro inverteu-se, e os capitais fugiram dos países mais pobres, indo para os mais ricos: "Houve uma tremenda liberalização financeira e se se pensava que o fluxo de capital iria dos países ricos aos pobres, mas ocorreu o contrário", referiu Sundaram - "os EUA recebem investimentos dos países em desenvolvimento, concretamente nos bónus e obrigações do Tesouro, e em outros sectores" (Globalização não reduz desigualdade e pobreza no mundo, diz ONU. Agência Efe. In: Mundo, Folha online).
A "liberalização" de fluxos financeiros é muito assimétrica. Os países que mais defendem a liberalização total dos fluxos de capitais não a praticam dentro das suas fronteiras. Os Estados Unidos, com o seu forte discurso liberalizante criou, por exemplo, a "Community Reinvestment Act" (Lei do Reinvestimento Comunitário) que obriga os seus bancos a reaplicar localmente parte do dinheiro que captam na comunidade. A Alemanha resistiu a todas as pressões para "internacionalizar" os seus capitais; hoje 60% da poupança da população alemã está em caixas municipais, que financiam pequenas empresas, escolas e hospitais. A França criou um movimento chamado "Operações Financeiras Éticas". A apregoada liberdade irrestrita para os fluxos de capitais parece ter sido adoptada apenas pelos países sub-desenvolvidos, que se vêem frequentemente submetidos a graves crises causadas pela sua vulnerabilidade às violentas movimentações especulativas mundiais (PINHEIRO, Márcia. A nova ordem mundial, in Sem rédeas nem juízo. Especial. Revista Carta Capital, nº 434, 7/3/2007, pp. 8-13).
Acerca dos países considerados anti neoliberais:
Néstor Kirchner na Argentina e Hugo Chávez na Venezuela só cometem erros, dizem os neoliberais. Mas, os seus países continuam a crescer: a Argentina cresce a mais de 8% ao ano desde 2003 e a Venezuela tem crescido a mais de 10% a.a. desde que foi derrotado o golpe de estado contra Chávez, em Abril de 2002. Crescimento do PIB, Argentina 2003-07: 8,8%, 9,0%, 9,2,%, 8,5%, 7,4%; Venezuela 2004-07: 18,3%, 10,3%, 10,3%, 7%. (COSTA, Antonio Luiz M. C. Vidas Paralelas. Nosso Mundo. Revista CartaCapital nº 434, 7/3/2007 pp. 30-32).

A França e Sarkozy

Filho de emigrantes húngaros, cuja família pertencia à pequena nobresa húngara. É por isso que prevê a política de apenas permitir emigrantes na medida das necessidades de trabalho do país! Mais, daí a necessidade de criar um Ministério da Imigrição e da Identidade Nacional... um bocado xenófobo!
Tem um antepassado que se bateu valentemente contra os Turcos. É por isso que é contra a entrada dos Turcos na União Europeia! Lá está a xenofobia outra vez!
Considerado um político liberal por querer menos sindicatos e menos impostos! Há coisas que custam a entender. Ok, menos impostos é mais liberal. Mas, menos sindicatos também é mais liberal?! Ou será, neoliberal?! Então e aumento do horário de trabalho também é liberal?! Parece que para Sarkozy a semana das 35 horas é insustentável para a competitividade da economia. Até parece que a França sofre muito a nível económico... sofre como qualquer país capitalista, onde a riqueza é mal distribuída, e onde há pala de tanto liberalismo acaba por cair num subsidiarismo. Esse concerteza não liberal, mas com raízes na cultura da caridadezinha, fruto de influências católicas, de um estado de assistência e não de solidariedade social...
Sendo que o Liberalismo é a ideologia da liberdade, liberdade como princípio fundamental, nascida no seio do Iluminismo, e a nível ideológico-político, social e económico caracterizado como o "primado da soberania popular e da vontade geral, aplicação estrita do princípio laisser faire, laisser passer" (Calvo-Serer), pergunto-me como é que a diminuição da participação político-sindicalista do indivíduo e da população em sociedade é Liberal?!
Mais, como é que a criação de organismos para controlar a população do País é Liberal?! Não é um estado Liberal aquele em que o Estado intervém menos?! Ou será no neoliberalismo que o Estado deve intervir o menos possível, mas em qualquer temática que mexa com a economia e o crescimento económico do país, aí o Estado já pode e deve intervir?! Será que é por isso que existe na teoria Neoliberal um Estado que deve intervir a um micronível - que é para quando dá jeito?!
Interessante, será que o Liberalismo tem apenas a vertente da liberdade económica?! Não me lembro de ler isso em Thomas Morus, Hobbes ou Rousseau. Aliás, a vertente socio-económico aí funciona como balança, não há dois pesos e duas medidas: uma liberdade económica, mas não uma liberdade social... mas eles devem ser liberais de outros tempos! Contudo, percebo que o Liberalismo como imbuído também da filosofia grego-romana e do Cristianismo, principalmente do último, luta contra algumas tentações! Já Paulo VI dizia "o uso da liberdade facilmente pode degenerar em desordem: em primeiro lugar, o individualismo, e, em consequência dele, o egoísmo, a confusão social, donde nascem a repressão, a desintegração da comunidade". Claro está, neste liberalismo há o culto do individualismo, e não a Liberdade enquanto responsabilizadora e ao mesmo tempo unificadora dos indivíduos de forma a constituir o laço social, o contrato social (esse monstro que não deixa a economia evoluir ao olhos dos neoliberais). Como se a Liberdade não fosse também respeito pelo outro, e antes disso por nós próprios, pautada por uma conduta de consciência individual e social, porque só na interacção com os diferentes nos conhecemos, e só respeitando os outros eles nos respeitam... isto também deve ser outra ideologia de Liberdade!
O termo Liberalismo está por certo desvirtuado, de tão mau uso que dele se tem feito. Ser Liberal não é ser-se individualista, não é ser-se permissivo até onde nos dá jeito, não tem como oponente o totalitarismo, porque nos tempos que correm totalitários são todos os governos que não são liberais, no sentido em que não respeitam a vontade geral e a soberania popular. Melhor, que apenas são liberais no momento em que são eleitos por sufrágio universal, logo pela vontade geral, mas após serem eleitos as suas vozes não se ouvem, e fazem como o Alberto João. Este, agradeceu "aos trabalhadores sociais-democratas que votaram nele"...
Outros factos importantes, são o facto de os países que não fomentam políticas ditas capitalistas (neoliberais), terem visto a sua economia crescer sem atropelarem os direitos das populações, e sem os fazerem escravos dos seus belos caprichos, que gostam de rotular com este ou aquele termo para que sejam bem ou mal aceites, e discutidos por esse mundo fora. Enquanto as pessoas se baralham com os termos, não ligam às políticas, e depois temos uma França sempre revolucionária, mas depois da revolução como foi o caso do maio de 68, há sempre uma volta às suas origens despóticas... vivem na saudade de um Luís XIV e de um país supostamente, sobejamente superior aos outros quer em termos culturais, quer em termos sociais e económicos. Não devem ter memória, e nem deve saber que aí o estado económico-social do país era miserável...

"Prós e Contras", a televisão pública numa demonstração de democratura

Anuncia a RTP, sobre o próximo Prós e Contras, 7 Maio 2007:
"CHOQUE DE VALORES"
A França decide a presidência! Os madeirenses escolhem o líder! Em Lisboa espreita um novo acto eleitoral! Direita ou esquerda? O que valem estes conceitos? Que agendas políticas suportam? O que significa ser de esquerda ou de direita? O Choque de Valores com Mário Soares, Adriano Moreira, Miguel Portas e Paulo Rangel no maior debate da televisão portuguesa. Prós e Contras, segunda-feira à noite na RTP.
Não haja dúvida que a exclusão do PCP deste debate foi ponderada e propositada. Assim anda a democracia em Portugal, reflexo de um país que vira à direita (eleições na Madeira) como a França. Representará isto uma tendência a proliferar no resto do mundo?!
Devido à exclusão do PCP, deixo aqui o comunicado de imprensa do mesmo:
"Não calam a voz do PCP!
A RTP vai emitir na próxima segunda-feira mais uma edição do programa “Prós e Contras” sob o tema “Choque de valores”, onde anuncia a discussão de um conjunto de elementos de grande actualidade política e ideológica, nomeadamente as eleições presidências em França e as regionais na Madeira, a situação na Câmara Municipal de Lisboa e as eleições que em breve ocorrerão, o que distingue a Esquerda da Direita, entre outros.
Para o painel de convidados está anunciada a presença do último candidato presidencial do PS (Mário Soares), de um ex-presidente do CDS-PP (Adriano Moreira), de um deputado do PSD (Paulo Rangel) e de um dirigente e eurodeputado do BE (Miguel Portas), excluindo de forma inqualificável a presença do PCP, partido que, registe-se, é a terceira força política nacional com representação na Assembleia da República, isto para além das posições e responsabilidades que assume no Concelho de Lisboa e na Região Autónoma da Madeira.
Registe-se também que, após a divulgação pela RTP do conteúdo e do formato do programa, o PCP procurou junto da produção do “Prós e Contras” e da Direcção de Programas da RTP, sugerir a participação de um membro do PCP, hipótese esta que foi cabalmente rejeitada.
O Painel de convidados que foi anunciado, não suscita qualquer dúvida quanto à relação entre os presentes e o partido político a que pertencem, pelo que a exclusão do PCP por parte da RTP só pode ser entendida como forma de silenciar e apagar o papel, a reflexão e intervenção dos Comunistas, numa atitude que viola o pluralismo, o rigor, o respeito pelos telespectadores a que qualquer operador de televisão está vinculado, ainda mais no caso da RTP como prestador de serviço público.
O PCP não aceita esta discriminação e amanhã dia 7, irá fazer deslocar para junto das instalações da Casa do Artista, pelas 21 horas, local de onde o programa Prós e Contras será emitido, uma numerosa delegação com o objectivo de participar no programa e expressar o seu veemente protesto perante esta inaceitável exclusão. O PCP desenvolverá ainda um outro conjunto de iniciativas com vista a repor o pluralismo na televisão pública.
O Gabinete de Imprensa do PCP"

sexta-feira, maio 04, 2007

Festividades

Para quando as celebrações do 25 de Novembro? Depois das festividades revolucionárias que ocupam o nosso país na Primavera, proponho as festividades de Outono! Só para manter as coisas em perspectiva.

Há dias em que a TV educa mesmo

No "debate da nação", hoje transmitido na RTP 1, Fernando Rosas deu este recadinho a Anacoreta Correia, para que ele o transmita a Paulo Portas. Há dias em que a televisão afinal educa - pena ser já pela noite dentro...

Ora, a frase: "o trabalho liberta", fez-me lembrar o que se diz por aí nos cemitérios: "levantem-se malandros, que o trabalho dá saúde!".

Mas o mais espantoso, foi Anacoreta Correia ter dito que o dito "o trabalho liberta" também se encontra em escritos de dioceses, como se isso não tivesse nada em comum com a ideia de Hitler, e Paulo Portas tivesse dito isso com outra intenção. Isso não me espanta nada!
Vejamos algumas coisas interessantes:
«Na Grécia arcaica, o trabalho era tido como degradante e não era objecto de valorização, dando-se importância a outras actividades. Nela encontram-se actividades, ofícios e tarefas, mas não “o trabalho” (p.43). É nas categorias que temos acesso ao “ponos, actividades penosas, exigindo um esforço e um contacto com os elementos materiais, um contacto degradante (...) cuja característica é poderem ser imputadas a qualquer um e que consistem na aplicação de uma forma a uma matéria” (pp.43-44). A hierarquia das actividades é feita na medida em que se depende de alguém, estando na base da escala o escravo e o téta (mercenário que aluga a sua força de trabalho e que pode ser contratado para realizar um qualquer trabalho). A seguir encontramos o artesão que dominam uma técnica, como a olaria, mas representam a degradação social porque trabalham para o povo. Ou seja, as actividades são desprezadas na medida que tem que que ser realizadas perante alguém (Méda, 1999). Na Grécia clássica, o trabalho é apenas realizado por escravos que não são considerados homens, dedicando-se os homens ao ócio – fazer política, etc. O ponos passa a ser exercido por agricultores e artesãos que têm que assegurar as condições mínimas de subsistência, e por forma a que as tarefas lhes ocupem o pensamento. O laço social, devido à dependência que provoca do ponto de vista económico e social tem um sentido negativo – o salário é visto como negativo, pois trabalhar por dinheiro significa servidão. A felicidade para eles também não passa por uma série ilimitada de recursos.

Até ao fim da Idade Média, a representação do trabalho permanece sem alterações significativas. Até aqui o que é notável é não ser o trabalho o núcleo das relações sociais. Contudo, "a divisão da sociedade em duas partes, uma submetida à necessidade de trabalhar e a outra vivendo do trabalho da primeira, prova o contrário. (...) Mas o trabalho não estrutura a sociedade no sentido em que não determina a ordem social” (Méda, 1999, p.52). Não obstante, é no período do Império Romano que se começa a dar a lenta transformação na forma como se preconiza o trabalho, à qual iremos aceder no fim da Idade Média. Nos primórdios da cristianização do Império Romano, o trabalho continuava a ser visto como uma punição, dado que o homem devia era consagrar a sua vida a Deus, e enquanto punição de Adão pelo seu pecado pode ler-se no Génesis (in Méda, 1999, p.53):

“o chão será maldito por tua causa. Será à força que tirarás todos os dias da tua vida o teu alimento, que produzirá espinhos e abrolhos, e terás para comer a erva dos campos. Será com o suor do teu rosto que comerás o pão, até que voltes à terra, da qual foste tomado; porque és pó e ao pó hás-de tornar”.

Aqui é importante ressalvar que o Génesis não é interpretado da mesma forma ao longo dos tempos, e enquanto nesta altura o acto divino passa pela palavra “Deus disse (...) e assim foi” (Méda, 1999, p.54), no fim da Idade Média, com a redescoberta dos textos gregos, e pela necessidade de introduzir normas de vida nos mosteiros, a Igreja e os padres vão fazer emergir uma nova forma de pensar o trabalho. Aqui, tem importante papel Santo Agostinho, que “expõe, durante os primeiros séculos da cristandade, a sua concepção do trabalho monástico e a sua interpretação da criação divina” (Méda, 1999, p.54), entrelaçando assim nos seus textos, o acto divino e o acto humano. O facto de o Génesis começar a ser interpretado como trabalho de Deus – Opus Dei – carrega consigo algumas consequências. Passa a existir a ideia de que Deus trabalha e passa a ver na actividade do artesão, depois da leitura dos textos gregos, a actividade mais próxima da criação – o que para os gregos não passava de uma imitação. Assim estão lançadas as bases para uma nova ideia do trabalho. O trabalho “labor” ou “opus” opõe-se ao “otium” que é agora sinónimo de preguiça (Méda, 1999, p.55). Começa a ser encarado como natural, pois é uma lei Natural e é através dele que se pode subsistir e exercer caridade. A partir daqui, Santo Agostinho (1948, in Méda 1999) distingue que há “profissões infames” – onde encontramos os ladrões, gladiadores e actores, “profissões pouco honrosas” – especialmente os negociantes, e “profissões honestas” – os artesãos e os camponeses. Estes últimos trabalhos, considera Santo Agostinho, que deixam a alma livre, dado que o trabalho manual permite “que o espírito permaneça inteiramente cupado com Deus” (Méda, 1999, p.57). A esta altura, o trabalho manual continuava a a ocupar um lugar importante, mas com São Bento tal altera-se, pois ele vê no trabalho manual um melhor remédio face ao ócio. Considera assim que o trabalho tanto para os monges como para os outros, liberta o espírito enquanto ocupa o corpo, sendo louvado pela penitência. Nesta altura o trabalho intelectual passa a designar-se opus, como o trabalho divino, tal como se fosse um seu semelhante, e labor o trabalho dos artesãos e camponeses. É a partir daqui que começa a ser valorizado o trabalho, contudo ainda não é aqui que se desenvolve o mercantilismo, pois esse afastava-se do principal que continuava a ser adorar a Deus. Sendo que os trabalhos que interessam ão os que transformam a matéria, tal como Deus (Méda, 1999).

A ideia de utilidade é introduzida por São Tomás no século XIII, como sendo a produção de coisas necessária à existência, e o lucro é concebido apenas como remuneração do trabalho, bem como o preço das coisas – mas sempre na justa medida, não tem que ver com as necessidades de quem vende, mas da utilidade. É a utilidade que justifica o trabalho e a sua remuneração. No século XVI o trabalho passa a deignar-se tripalium, que curiosamente era usado para designar um instrumento de três pés que era utilizado muitas das vezes para torturar os indivíduos. O trabalho passa assim a ser uma pena, e não mais a obra. O ganho individual à epóca continua a ser visto com maus olhos, e a ser condenado pela Igreja. O trabalho existe para garantir o pão para a boca e a roupa, mas não para acumular riqueza (Méda, 1999).

No século XVIII, começa a construir-se o trabalho como tempo, que permite aumentar a riqueza e que tem como fim uma mercadoria. Tal é visível em Smith (1991), para quem o trabalho é gasto de energia, pode ser quantificado em períodos divisíveis de tempo, e para quem o trabalho é instrumento de troca. A partir do século XIX o trabalho passa a ser visto como factor de produção, deixa de importar tanto o tempo que nele se gasta, e como ele deve ser remunerado em função desse tempo, e passa a importar o trabalho produtivo. E com essa nova distinção, surge também por parte de Malthus que se chame ao trabalho não produtivo porque não material, serviço. A partir daqui, os economistas reúnem sobre a categoria trabalho, todas as actividades que permitam exercício sobre objectos materias e cambiáveis, onde existe um valor acrescentado que é passível de ser visto e medido, ficando assim o artesanato e o trabalho do campo sob o mesmo tecto, apesar do diferente esforço que comportam. Mas isso acontece porque a esta definição de trabalho, que única coisa que interessa é a sua capacidade de gerar riqueza.

O trabalho passa assim, a ser visto como “símbolo da autonomia indvidual” (Méda, 1999, p.71), que permite ao indivíduo valer-se a si próprio através das suas faculdades, que lhe permitem alcançar o lugar que ele deseja na sociedade. Daqui até à alienação do homem pelo trabalho foi um passo.
O trabalho, que é “um processo que se desenvolve entre o homem e a natureza, no qual o homem por meio da sua acção medeia, regula e controla a troca orgânica e a sua própria natureza” (Marx, 1859, p.36), passa a ser um meio de expropriação da sua força de trabalho mas também da sua humanidade. É que, na lógica da produção capitalista, – do quanto mais for produzido melhor, mas em que quem produz pode possuir cada vez menos, acabando mais no domínio do capital – “a desvalorização do mundo humano cresce em relação directa com a valorização do mundo das coisas” (Marx, 1859, p.70). O trabalho passa a ser um meio de exclusão na exploração do uso do homem na sociedade capitalista – o trabalho é esvaziado da necessidade humana de agir e de transformar a realidade para o homem e alheado do homem, de tal forma que o trabalhador não tem qualquer controlo e gestão sobre o que produz e sobre o que dele é feito. A subjectividade do homem desaparece no momento em que, tornado desumano o trabalho humano, se torna desumano o homem que trabalha. Assim, reduzido o homem a «coisa» na medida das coisas produzidas, o capital e a classe que o tutela e nele tem interesses estabelecerão na base da exclusão/integração realizada os valores de norma que continuem a garantir a universalidade da expropriação, logo da exploração. A classe detentora dos meios de produção é forçada «a dar às suas ideias a forma da universalidade, a representá-las como as únicas racionais e universalmente válidas» (Marx, 1859, p.36), para que a classe explorada as aceite, como se incluíssem as suas necessidades e a resposta às suas necessidades. Torna-se evidente que a exploração é um dos modos de integrar o excluído cujo paradoxo se reduz ao facto de ser força de trabalho.» (Mealha, 2006).

quinta-feira, maio 03, 2007

independentes, faccionistas e afins... as diferenças!

A Câmara Municipal de Lisboa tem estado sob o olhar atento da comunicação social de há uns tempos para cá. Depois do caso Bragaparques, Carmona não teve nem um minuto de sossego, quer externamente devido aos partidos da oposição (e bem, que o seu papel é fazer com que a sociedade saiba o que se passa), quer internamente pelas várias facções do PSD e seus respectivos interesses. Já outras autarquias, pelo seu distanciamento da capital não merecem tanto destaque, apesar de causarem os mesmo danos ao erário público.
Como já ontem referiu Ruben de Carvalho ao Público deveriam existir eleições intercalares para a autarquia, respeitantes a todos os órgãos. Até aqui concordo na íntegra, a sua exposição faz bastante sentido.
Não percebo, é como o próprio presidente do PSD, Marques Mendes, retira a confiança política ao vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa e não ao presidente da mesma, mas depois diz que é a favor de eleições intercalares. Será que Marques Mendes imagina que assim, talvez o povinho não perceba que o PSD (ou pelo menos a sua facção) está a "fazer a cama" a Carmona Rodrigues?!
Mais ainda, com tantos problemas que têm existido por essas autarquias fora, como é que o PSD tem dois pesos e duas medidas?!
A autarquia de Silves, presidida por Isabel Soares, também ela membro do PSD, está sob investigação da Polícia Judiciária, viu as suas contas chumbadas pelo Tribunal de Contas, e aqui, Marques Mendes, perdão o PSD, não decidiu retirar-lhe a confiança política - será que ela é da facção PSD Marques Mendes?! Além disso, Isabel Soares também é arguida num processo.
Fica a questão: será por Carmona ser independente que o PSD o está a tentar "matar políticamente" (independentemente de considerações se ele esteve ou não vivo alguma vez!), ou será por ele, além de ser independente, se dar com uma facção diferente da de Marques Mendes que o querem reformar mais cedo?!
A estas questões dos bastidores do PSD, apenas alguns seus membros saberão responder correctamente, a nós resta-nos fazer apenas conjecturas...
De uma coisa tenho a certeza, não gostaria de estar a exercer funções na Câmara Municipal de Lisboa por estes dias. As pressões devem ser muitas, tantas quantas as facções existentes...
Apenas pela falta de transparência do PSD quanto à actuação que tem face aos seus autarcas, só por isso já fazem sentido as eleições antecipadas. Mas para todos os órgãos, ou então, ressalta mais uma vez a ideia do PSD de manter alguns dos seus no poder, e de a outros "puxar o tapete", e isso não é actuação que se deseje num líder partidário (mesmo que haja considerações se ele alguma vez o foi!).

Paulo Portas no seu pior!

Segundo Paulo Portas, parece que Hitler tinha razão quanto ao lema que constava na placa à entrada do campo de concentração de Auschwitz I: O trabalho liberta ("Arbeit macht frei") . Os prisioneiros do campo saíam para trabalhar durante o dia nas construções do campo ao som de música de marcha tocada por uma orquestra.

Para termos uma ideia, as SS ("Schutzstaffel", em português "escudo de protecção) geralmente selecionavam prisioneiros - os kapos, para fiscalizar os restantes. Todos os prisioneiros do campo trabalhavam durante a semana menos ao domingo, exceptuando os das fábricas de armas que trabalhavam todos os dias. As fortes condições de trabalho unidas à desnutrição e higiene precária faziam com que a taxa de mortalidade entre os prisioneiros fosse elevada.

terça-feira, maio 01, 2007

breve história sobre o 1 de Maio

Todos os anos, no dia 1 de Maio, comemora-se, em quase todos os países do mundo, o Dia do Trabalhador.

As origens do Dia do Trabalhador não são muito recentes. A história deste dia começa no séc. XIX. Nessa época, abusava-se muito dos trabalhadores, porque chegavam a trabalhar entre 12 e 18 horas por dia, o que era muito cansativo e até prejudicial à saúde!

Já há algum tempo que os reformadores sociais (aqueles que propunham reformas, ou seja, mudanças na sociedade) defendiam que o ideal era dividir o dia em três períodos: 8 horas para trabalhar, 8 horas para dormir e 8 horas para o resto, o que incluía a diversão.

Foi com o objectivo de lutar pelas 8 horas de trabalho diárias que, no dia 1 de Maio de 1886, milhares de trabalhadores de Chicago (EUA) se juntaram nas ruas para protestar contra as suas más condições de trabalho.
A manifestação devia ter sido pacífica, mas as forças policiais tentaram pará-la, o que resultou em feridos e mortos. Este acontecimento ficou conhecido como "os Mártires de Chicago", por causa das pessoas que foram feridas e mortas só por estarem a lutar pelos seus direitos.
Quatro dias depois, houve uma nova manifestação pela redução do horário de trabalho e melhores condições. Mais uma vez, a polícia virou-se contra os manifestantes e acabou por prender 8 pessoas, 5 das quais foram condenadas à forca! Como o povo estava cada vez mais revoltado, estas condenações só serviram para "deitar mais achas na fogueira" e despertar a atenção de todo o mundo.
Em 1888, dois anos depois destes acontecimentos, os presos foram libertados por um júri que reconheceu que os trabalhadores estavam inocentes.

Em 1889, o Congresso Internacional em Paris decidiu que o dia 1 de Maio passaria a ser o Dia do Trabalhador, em homenagem aos "mártires de Chicago".

Só em 1890, os trabalhadores americanos conseguiram alcançar a sua meta das 8 horas de trabalho diárias!

Em Portugal, devido ao facto de ter havido uma ditadura durante muito tempo, só a partir de Maio de 1974 (o ano da revolução do 25 Abril) é que se passou a comemorar publicamente o Primeiro de Maio.

Só a partir de Maio de 1996 é que os trabalhadores portugueses passaram a trabalhar 8 horas por dia.

1 Maio - Dia do Trabalhador