também posso?! mas não quero ser "presidente da junta de freguesia"!
Como desconfio de blogs altamente publicitados e com poucos comentários (e isto não é demência, nem percepção alterada, quanto muito será paranóia, mas às vezes a paranóia é organizadora!), e não vá dar-se o caso de a censura ter sobrevivido a outros tempos, ou quiçá, voltar a estar na moda, reproduzo aqui o comentário que deixei nesse tão afamado reduto de participação democrática, onde colaboram alguns amigos meus, e que para meu descanso continuam a trabalhar pela democracia fora da blogosfera (é que para escrever, na blogsfera ou fora dela, até pode haver gente com muito jeito, para trabalhar, fora da blogosfera, é preciso ter mais alguns recursos que não os da má língua ou má escrita!):
"Avante - São conhecidas no entanto as fortes críticas feitas ao governo e ao presidente, as acusações de corrupção ao nível do aparelho de Estado, a existência de grandes desigualdades… Jerónimo de Sousa - É um facto. Mas devo dizer que neste momento sentimos haver um esforço claro do MPLA no combate à corrupção. Neste aspecto, pode dizer-se que, havendo um problema, não se sente a corrupção como um fenómeno instalado e em desenvolvimento, mas antes como uma situação que está a ser encarada e combatida pelo MPLA".
E quando dizes "descriminando ideológicamente tudo e todos, subordinando principios morais e éticos a metas politicas e a dogmas, torcendo a verdade", não me parece que seja o Jerónimo de Sousa que não tem percepção da realidade:
"Avante - É sabido que o PCP e o MPLA, apesar das suas relações de longa data, seguiram nos últimos anos caminhos políticos que estão longe de ser convergentes. Que apreciação é que fazes da evolução do MPLA desde que assumiu o poder em Angola? JS – Para fazer essa avaliação devemos ter em conta vários factores. Em primeiro lugar, temos a questão interna, marcada por uma situação de guerra, com todas as suas consequências devastadoras no plano económico, social e político. A nível externo, houve os acontecimentos a Leste, com a derrota do socialismo e com a desintegração da URSS. Estes aspectos, para além de levarem ao isolamento do MPLA, criaram a necessidade, como os próprios angolanos afirmam, de procurar «novos amigos», alargando as suas relações. Mas importa dizer que também nos reafirmaram – desde o presidente Eduardo dos Santos ao Bureau Político do MPLA – haver uma vontade inequívoca de manter e reforçar as suas velhas amizades, designadamente com o PCP.(...)Um dos problemas de fundo que importa ter presente é que a guerra – que durou mais de 30 anos – acabou há seis anos e que Angola ficou destruída, profundamente devastada em todos os aspectos essenciais para o desenvolvimento de um país: sem empresas, sem agricultura, sem infraestruturas, sem vias de comunicação… Outro dos problemas de fundo prende-se com a situação de Luanda, que passou de um milhão para cinco milhões de habitantes, com tudo o que isto representa de pressão social para a capital do país. De momento, por exemplo, não é possível a área do turismo ter ali qualquer desenvolvimento porque não há estruturas para isso. De qualquer forma, nota-se um esforço tremendo de reconstrução. Luanda parece um estaleiro, com obras de fundo por todo o lado. Estamos a falar de um país em crescimento económico acelerado, a reduzir o desemprego, a tomar as primeiros medidas ao nível da segurança social e da saúde, ou seja de evolução positiva. São mais as potencialidades do que os perigos de retrocesso".
Realmente só existe uma coisa pior que a falta de percepção, é a mentira consciente e construída com um propósito que não o de informar, mas com o de, e usando as tuas palavras, «descriminando ideológicamente tudo e todos, subordinando princípios morais e éticos a metas políticas e a [mitos], torcendo a verdade até esta quebrar e jurando que uma mentira mil vezes repetida se transforma em verdade». Mais cego é aquele que não quer ver!"
"devo salientar que na minha opinião as sondagens não aceleram os processos judiciais nos tribunais, não pagam os empréstimos ao banco, não antecipam as intervenções cirúrgicas nos hospitais nem reforçam o sentimento de segurança de ninguém. (...) Ultrapassada a barreira de metade do mandato, cumpridas que estão várias metas,superados que estão já muitos objectivos, muitas reformas em andamento, algumas a passo mais lento do que o desejável diga-se,fica apenas por demonstrar ao executivo socialista ter capacidade para absorver o impacto do arrefecimento económico mundial, em particular os efeitos do mesmo nas nossas exportações para Espanha, Alemanha e Estados Unidos da América, já ameaçadas pela "alta" do Euro. Julgo também que falta ainda provar que este Governo sabe resistir à tentação populista de governar a olhar para as eleições de 2009, a total inversão do caminho até aqui percorrido seria perniciosa e contraproducente".
