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sábado, março 29, 2008

imparcialidades

Tânia,

No teu último post tocaste numa questão bastante pertinente e que é mais um exemplo de alguns defeitos da mentalidade portuguesa, o facto de os jornais (e outros órgãos de comunicação social) serem "totalmente imparciais" e não serem alinhados com qualquer ideologia ou inclinados à esquerda ou direita.

Seremos dos poucos países, pelo menos dos que se pretendem afirmar como evoluídos, em que tal acontece.

Mesmo aqui ao lado, em Espanha, quando vamos comprar um jornal, sabemos desde logo que o El Pais é mais próximo do PSOE e o ABC é um jornal mais conservador.

E o mesmo se passa por essa Europa fora.

Só aqui, neste país que tanto amo, é que continuamos a fingir que nada disso existe ou deve existir.

Em vez de se "jogar ás claras" e afirmar claramente um posicionamento político, que não tem necessariamente de ser partidário, continua-se a lançar "areia para os olhos" dos leitores. Uns deixam-se levar, alguns nem por isso.

Houve uma excepção à regra. Luís Osório quando era Director do jornal A capital, afirmou em editorial que, em determinada eleição, apoiava um partido.
Na altura não gostei, mas aplaudi! Curiosidade, o jornal já não existe!

Outros exemplos podem ser dados de temas em que se deveria “jogar às claras”, houvesse coragem política para tal. Querem falar de Lóbi?

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Como lidar com jornalistas

Isabel Stilwell, Directora do jornal Destak, dá uma lição, na edição de hoje em Editorial.
Pela pertinência do texto, reproduzo o mesmo!

É urgente aprender a lidar com jornalistas
27 02 2008 08.31H

Devia haver lições de como lidar com jornalistas. E a primeira regra, que qualquer cidadão teria de aprender, é que se pode, e deve, dizer «Não» a um repórter, sempre que assim se entender fazê-lo. O jornalismo é um contra-poder fundamental, ninguém põe isso em causa. E deve denunciar as situações todas e mais algumas, desde que o seu trabalho seja fundamentado. Mas não é polícia, nem é mandatado por nenhum tribunal. Não tem qualquer poder para «interrogar» as pessoas, ou de obter delas uma resposta. Fechar a porta na cara de uma câmara de televisão não é crime, assim como não é reprovável desligar-lhe o telefone na cara, ou recusar-se a responder às suas perguntas.

O pior é que as pessoas têm medo e se sentem indefesas. E a realidade prova que com razão. Ainda há dias, uma revista cor-de-rosa fazia capa com uma figura pública, «revelando» que consultava uma vidente. Lá dentro quatro páginas sobre o assunto para no último parágrafo se escrever que a pessoa (sic) «optou por negar» esta história, dizendo que era falsa, dando ainda por cima à recusa um toque de ironia. Mas e se é mesmo verdade, pergunta o leitor. Publica a história, mas assinala logo na primeira linha (neste caso na capa) que o objecto do seu texto nega tudo aquilo. Cabe-lhe, depois, provar o que afirma, nomeadamente em tribunal.

Frente a estes inquisidores, as pessoas sentem-se intimidadas «a colaborar». Sabem que se disserem Não, vão ser acusadas de mentir; se se remetem ao silêncio, acusadas de calarem e consentirem; se respondem torto, é porque além de criminosas são malcriadas, e por aí adiante. Sabem que o jornalista tem a faca e o queijo na mão, e que quando quiserem vir «emendar a mão», já aquela versão da sua vida circula por milhares de bocas. Decididamente, temos que ter a coragem de apresentar queixa contra estes Zorros sem escrúpulos, quando atentam contra o nosso bem mais precioso: o direito ao bom nome.

Isabel Stilwell editorial@destak.pt