terça-feira, junho 10, 2008

por estes dias...

Desde o 25 de Abril de 2008 até agora a disponibilidade para escrever escasseia, e também a vontade para o fazer nos poucos momentos disponíveis. Hodiernamente é mais necessária a disponibilidade para a acção do que para a escrita das palavras.
O País parece não ter solução aparente, todos os dias as notícias concernem a aumentos do custo de vida, ao aumento da taxa de desemprego, ao aparente aumento da criminalidade, são más notícias veiculadas como fatalidades quanto às quais nada é possível fazer. Depois, depois há o ânimo e a esperança depositadas no Euro 2008, como se as soluções para tudo o que está mal no nosso País se resolvessem com a vitória de Portugal no Euro. Até se ouvem afamados jornalistas dizer que ainda bem que Portugal está a ter um bom desempenho porque é a felicidade dos Portugueses. Enfim... se pensassem por um momento no dinheiro que o mundo futebolístico movimenta, quem é que ganha com isso, etc. não veriam o futebol como mero espectáculo desportivo, pois isso é algo que cada vez mais se reserva às equipas amadoras, ou pequenos clubes.
Uma hipótese, é que enquanto se vive o Euro, não se vive o que é e o que se quer que seja o nosso País, controlando o que o Governo realiza no dia-a-dia, ou não realiza, e sendo cidadãos activos num País que necessita de gente que se envolva nos problemas e soluções para os mesmos, como do pão para a boca. Quem dera que os Portugueses aderissem às urnas em dias de eleições, como aderem ao apoio à Selecção Nacional de Futebol, ao espetar as bandeirinhas nos carros, nas casas e afins.
A solidariedade escasseia a cada dia que passa, cada vez mais este Governo consegue dividir para reinar, e quando se lembra às pessoas que elas dependem de outras para poderem viver normalmente o hodierno, elas revoltam-se contra os seus semelhantes alegando que é uma injustiça, como no caso das paralisações das transportadoras e dos pescadores, mas não vêm para lá do seu umbigo, o quão injusto é viver em determinadas condições.
Concordo que a morte de uma pessoa seja de lamentar, não concordo quando se usa a morte de alguém para dizer que manifestar-se não é solução, que são os agitadores que provocam as mobilizações e essas mortes. Agitadores são os que escrevem, falam, incitam mas não agem, os que não têm vergonha em usar um acontecimento trágico como arma de arremesso político para fazer o que sabem melhor, ou talvez mesmo a única coisa que sabem fazer, manipular os outros.
Não é vergonha nenhuma, nem deve considerar-se desnecessário ou em vão morrer por algo em que se acredita, apenas o diz quem não quer lembrar porque é que essas pessoas viveram, lutaram e morreram. Quanto muito será uma vergonha viver-se sem saber o que é que se desejou, pelo que é que se lutou, o que é que se fez, claro está, na minha perspectiva pessoal.
Serve-me, neste momento, a resiliência de que as coisas podem mudar e que cada vez um maior número de pessoas começa a tomar consciência do que é que toda esta movimentação social pode significar, solidarizando-se e não apartando-se dos problemas. É que viver numa não realidade não é salutar.