terça-feira, março 27, 2007

Odete sobre Salazar

Podias ter escolhido a íntegra da intervenção, ao invés do striptease...

Esta votação não é claramente sinal de descontentamento face às actuais políticas, mas sim um reforço das mesmas, e do branqueamento de ideias e ideais políticos de que a maior parte da sociedade portuguesa sofre. Mormente, dizer que como forma de descontentamento se votou em Salazar, é dizer que as suas políticas foram boas, e isso é mais que mentira, é a ridicularização da história de portugal dos últimos 90 anos, de onde o atraso que se vive em Portugal foi muito fomentado e deveu-se às políticas de Salazar e de outros tantos de direita que se autoproclamam democratas, mas onde a sublimação de quaisquer actos de ditadura está presente. O analfabetismo, a pobreza e a miséria financeira, social e cultural de que Portugal foi alvo durante a ditadura fascista tem peso nas consciências que entranto se formaram e que não tiraram ilacções da história do país. Tanto é, que ainda hoje se vive numa aparente democracia, onde não se faz mais que propagandear uma coisa e fazer outra. Culpa também dessas mentalidades retrógadas, que ao fim de anos e anos continuam a protelar as mesmas políticas de encher os bolsos a grupos monopolistas para quem as pessoas são apenas mais um número. Culpa de uma educação nada politizada, em que a maior parte das pessoas se entrega ao marasmo que "isto nunca vai mudar". Enganam-se, não muda enquanto não fazerem valer os direitos pelos quais muitos outros lutaram. Mas presumo que muitos dos que bateram palmas à vitória de Salazar não percebam ou nunca tenham tido na família pessoas que viveram nessa altura e que passaram fome - dividiam uma sardinha por quatro pessoas, etc., que iam votar porque eram obrigados, e o voto já ia com a cruzinha selado dentro de um envelope, pessoas qe não sabem que nesse regime as mulheres podiam ser violentadas pelos maridos, e que segundo revistas da altura deveriam ser submissas aos mesmos, que se apanhavam é porque havia um bom motivo para isso, enfim, interminável a lista de actos contra os direitos humanos que eram permitidos.

Contudo, persiste aqui um anticomunismo - quase que aposto que houve pessoas a votar para que Cunhal não tivesse mais votos que Salazar. Este país, envergonha-me por essas pessoas mal formadas, que não têm consciência histórica, humanitária e cívica, e onde premeiam um português por ter exercido uma autêntica escravatura sobre os seus compatriotas, num mundo de miséria, onde o saber ocupava lugar, pois saber é poder...

Aflige-me mais ainda, quando é um perigo o Sócrates ter uma secreta que só a ele responde, e isso incomoda muita gente. Mas, incomoda porque é a ele que informam, se fosse a alguém do PSD ou do CDS já não havia problema.

É este o Portugal onde vivemos. Um Portugal amorfo de pessoas com ideias e objectivos que passam por estrangular os objectivos e as esperanças dos outros, em que parece não haver um futuro, pois esforçam-se ao máximo por esquecer e não aprender com o passado. Para mudar basta querer.


25 ABRIL SEMPRE, FASCISMO NUNCA MAIS

P.S.: Numa perspectiva de George Orwell, presumo que algum canal de TV podia fazer um programa em que quem quisesse poderia vivenciar o fascismo por uns tempos. Talvez fosse uma boa experiência para uns tantos que por aí andam a bater palmas a Salazar.

2 comentários:

Vítor Palmilha disse...

Será que acreditas mesmo no que escreveste ou é para escamotear a derrota do Cunhal e a verdadeira mensagem opr detrás da vitória de Salazar?

Ninguém quer o fascismo e a ditadura...

Líderes precisam-se!

Essá é a grande virtude de Sócrates e é a grande virtude de Salazar e Cunhal!

Vítor Palmilha disse...

Será que com o gesto inicial de V de vitória, a odete estava a saudar salazar ou está a fazer-se ao piso para ingressar no PSD?