segunda-feira, fevereiro 19, 2007

estágios profissionais

Por conversa com uma amiga quanto aos estágios profissionais descobri a melhor de todas: o Estado financia estágios profissionais remunerados em instituições privadas, mas não financia estágios remunerados em instituições públicas.
Um psicólogo pode fazer um estágio profissional, remunerado metade pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) e metade pela entidade empregadora (desde que privada), numa instituição privada. Adivinhe-se o melhor, a maior parte das instituições que necessitam de psicólogos pertencem ao Estado, mas aqui estagia-se de borla. Mão-de-obra barata e efectiva exploração.
Rídiculo, o Estado incentiva o estágio de profissionais no privado com dinheiros públicos, mas investir os dinheiros públicos no sector público não. Política estranha esta...!? A melhor parte, é que, assim as entidades empregadoras privadas têm a possibilidade de durante alguns anos pagarem apenas metade dos ordenados porque de ano para ano há sempre novos estagiários.
Grande política empregadora de grandes políticos.

2 comentários:

Domingos disse...

À volta disto - do trabalho à borla ou sem as condições devidas, prestado para o Estado por especialistas recém-formados - tem andado a Associação dos Bolseiros de Investigação Científica.
Ora espreitem só aqui:
www.bolseiros.org

Marco Cosme disse...

Existe uma modalidade de estágio profissional (se é que assim se pode dizer) que permite às Instituições do Estado remunerar o estagiário. Se for um organismo da Administração Central, então pode recorrer ao Programa de Estágios Profissionais na Administração Pública (Decreto-Lei 326/99, de 18 de Agosto), se for um organismo da Administração Local, então pode recorrer ao Programa de Estágios Profissionais na Administração Local (Decreto-Lei n.º 94/2006, de 29 de Maio).

Independentemente da existência ou não destes apoios financeiros, cujo o seu objectivo legal é a entrada dos jovens na vida activa, o problema do desemprego jovem, especialmente o do desemprego jovem com formação, não se resolve com meias medidas, muito menos com medidas de muito reduzido prazo (nomeadamente 9 meses e, na melhor das hipóteses, 12 meses).

Qualquer programa de estágio profissional, num país de abundante chico espertismo, como é o nosso caso, apenas serve como meio para tapar furos financeiros e para benefício do empregador, seja ele uma entidade pública ou privada. O jovem é aqui utilizado, e repito UTILIZADO, apenas como mão-de-obra eficiente e muitíssimo barata. Pois durante o período de estágio o empregador apenas se vê obrigado a pagar 30 porcento do ordenado do estagiário. Findo o período de estágio, este jovem regressa ao desemprego e a empresa abre vaga para um novo estagiário, onde novamente apenas se vê obrigada a pagar 30 porcento do seu ordenado.

Em adição a esta situação de aparente apoio à entrada dos jovens na vida activa, as empresas viciaram-se de tal forma nos estagiários profissionais, que, hoje em dia, para arranjar emprego, é mais importante nunca ter realizado um estágio profissional, do que ter já, pelo menos, 9 meses de experiência profissional. Ou seja, a inexperiência tornou-se, de repente, num factor de valorização do Curriculum Vitae.

Tudo isto é uma flagrante evidência de que vivemos, actualmente, numa Gerontocracia obcecada com o seu próprio umbigo e com uma péssima visão de futuro.