sexta-feira, fevereiro 09, 2007

A cada um, o que é seu (ou a teoria, na prática, é diferente)

Uma universitária cursava o sexto semestre da Faculdade. Como é comum no meio universitário, pensava que era de esquerda e estava a favor da distribuição da riqueza.

Tinha vergonha do seu pai. Ele era de direita e contra os projetos que “davam benefícios aos que não mereciam e impostos mais altos para os que conseguiam ganhar mais dinheiro”.

A maioria dos seus professores tinha afirmado que as idéias dele eram equivocadas.

Por tudo isso, um dia, decidiu enfrentar o pai.

Falou com ele sobre o materialismo histórico e a dialética de Marx, procurando mostrar que ele estava errado ao defender um sistema tão injusto como o da direita.

No meio da conversa seu pai perguntou:

-Como vão as aulas?

-Vão bem, respondeu ela. A maioria das minhas notas é 18, mas me custa muito trabalho conseguí-las. Não tenho vida social, durmo pouco, mas vou em frente.

-E a tua amiga Sônia, como vai ?

-Muito mal. A sua média é 6, principalmente porque passa os dias em shoppings e em festas. Estuda pouco e algumas vezes nem vai às aulas. Com certeza repetirá o semestre.

-Que tal se você sugerisse aos professores que transferissem 6 pontos das suas notas para as da Sônia ? Com isso vocês duas teriam a mesma média. Não seria um bom resultado para você, mas seria uma boa distribuição de notas para permitir a futura aprovação de vocês duas.

-Porquê? Eu trabalhei muito para conseguir as notas que tive ! Não acho justo que todo o meu trabalho seja, simplesmente, dado a outra pessoa !

Seu pai, então, a abraçou carinhosamente, dizendo:

BEM VINDA À DIREITA!

1 comentário:

Marco Cosme disse...

Mais uma vez se comprova que poucos são os que sabem o que é realmente uma politica de direita. E como é hipócrita o discurso continuado de que a «preguiça» dos outros não lhes dá o direito à distribuição da riqueza.
Tapar, com este simplismo, a motivação das escolhas individuais, como se uns fossem muito certinhos e outros os muito desprezáveis, é a melhor forma de recalcar para o inconsciente a situação privilegiada na qual as circunstâncias da vida nos coloca, e de borla. Ou será que o facto de nascermos em Portugal não nos coloca automaticamente naquela rica sexta parte do planeta que consome mais de 80% dos recursos mundiais? Um exemplo global para um fenómeno também local.
É preciso perceber que Direita e Fascismo são coisas diferentes. A direita não tem de ser necessariamente fascista. E mais! A política democrata é de facto anti-fascistas, apesar de haverem muitos fascistas portuguese que se proclamam democratas.
Se se derem ao trabalho, ao menos, de conhecerem um bocadinho sobre Adams Smith, o pai do Liberalismo, ficariam a saber que o objectivo da sua teoria sobre a riqueza das Nações tem como resultado, também, a distribuição da riqueza, só que com um método económico completamente diferente do método Comunista. Recorre à liberalização do mercado como instrumento para optimizar os preços, admitindo, à partida, a desigualdade que existe no poder de compra.
Para conseguir optimizar os preços de mercado para um óptimo social, é necessário estarmos perante uma situação de mercado perfeito, ou seja, todos os agentes intervenientes têm de ter igual acesso à informação e agir de forma racional, isto é, de modo a optimizar o seu negócio. Este método prevê a distribuição da riqueza, só que não de uma forma igualitária como a do método Comunista.
Adams Smith achava que com o seu método de distribuição de riqueza se conseguia melhorar a riqueza total de uma Nação.
O problema actual da sua teoria é o facto desta ter sido desenvolvida numa altura onde o conceito de Nação era supremo e inquestionável, e o conceito de Globalização era completamente desconhecido.
Eu não sou nenhum perito em economia para vir falar de Adams Smith ou Karls Marx, mas de facto as suas teorias são apenas teorias económicas. Um outro facto, é que deram azos a pólos políticos opositores que, inclusive, estiveram dispostos a entrarem em guerra, mesmo depois de terem sido parceiros na luta contra o nazismo.
Nós, os Portugueses, fomos mais uma das dezenas de pequenas nação que serviram de campo de batalha para lutas travadas entre duas grandes potencias. E esta visão bipolar da politica, que temos hoje em Portugal, mais não é do que apenas uma consequência disso mesmo.
Inglaterra, França, Alemanha e Itália sempre foram as privilegiadas enquanto berço intelectual de ideologia. E nós continuaremos a ser os meros seguidores.