segunda-feira, abril 21, 2008

PSD - o momento actual

Eis a minha posição perante o momento actual do PSD.

quarta-feira, abril 16, 2008

a sabedoria de um Índio Vs. o pensamento ocidental

Chegada duma formação acerca de avaliação do risco e reabilitação de delinquentes, levada a cabo no Instituto Superior de Ciências da Saúde Norte, pelo Professor Doutor James Bonta, foi-nos oferecida esta pérola, que não resisto a partilhar:

"Quando descobres que estás a andar num cavalo morto, a melhor estratégia é desmontares",
provérbio índio

Já os ocidentais têm outras formas de resolver a situação, como podemos ver pelas hipóteses seguintes:
a) compram um chicote mais rijo;

b) mudam de cavaleiro;

c) nomeiam um comité para estudar o cavalo;

d) visitam outros sítios para verem como eles andam nos cavalos mortos;

e) dão financiamento acrescido para aumentar a performance do cavalo;

f) estudam usos alternativos para os cavalos mortos;

g) promovem o cavalo morto a uma posição de supervisão.

O mais engraçado é que estávamos a falar acerca da possibilidade de eficácia dos programas de reabilitação de delinquentes, o que funciona e o que não funciona, mas pelas soluções possíveis poderíamos estar a falar de tantos outros assuntos aos quais se pode aplicar, e se aplicam hodiernamente, uma destas soluções...

segunda-feira, abril 14, 2008

Abril folhas mil

Preparem as cassetes dos arquivos, desenterrem as figuras do costume e comecem a festejar o 25/4.

Lembrei-me este domingo que o 25/4 estava aí a vir. Será porque me chamaram fascista por não ter moedas para dar ao profissional que arruma ordenadamente os automóveis em Belém, depois de ter chegado a Lisboa via Ponte Oliveira Salazar? Ou porque de seguida encontrei o João: jovem votante no Bloco de Esquerda. Ele vinha a sair do seu BMW 120d e trocamos umas impressões sobre a vida de cada um (o que é que andas a fazer e tal e não sei quê). Um pouquito nada mais tarde, li uma notícia sobre o despedimento colectivo e outra sobre a vitória das manifestações dos professores. De volta para o carro vejo uma LUTA entre dois cãezitos e reparo nas diversas manifestações de CULTURA que um flyer do CCB publicitava.
Só faltava mesmo ligar o rádio e ouvir o Zeca a trautear as suas cantorias. O que felizmente não aconteceu.
Como estamos em Abril lembrei-me que está quase na hora de louvar a democracia e os seus fundadores. Fico todos os anos com a sensação que falta qualquer coisa na história daquele dia de uma floral revolução. Antes do 25/4 se falássemos éramos torturados pelo estado rico e controlador e depois tudo foi um mar de liberdade. Como tenho a noção que ainda estamos pouco distantes de 1974 fico à espera de um dia, lá para 2030, ver um programa estilo "Toda a Verdade" sobre o 25/4.
Ainda assim serviu este tema para finalmente começar a ler o livro da Irene Flunser Pimentel, "A História da PIDE". Estou a gostar.
Afinal foi Abril que me pôs a ler.

domingo, abril 13, 2008

Siglas da minha vida - IV


C F B



CFB é a sigla de Clube de Futebol "os Belenenses"!

Desde pequeno que por proximidade geográfica com o Estádio do Restelo, por respeito ao meu avô e por lá praticar desporto (Futebol, Andebol e Basquetebol) a minha paixão pelo Belenenses foi crescendo. Até que, na idade em que já pensamos totalmente pela nossa cabeça, assumi esta paixão como uma "doença"!

Por esta paixão fiz autênticas loucuras. Mas loucuras que não me arrependo e que repetiria sem olhar para trás.

Ser do Belenenses é, de facto, ser diferente! É ver o desporto, e particularmente o futebol, de forma diferente. Mais sofredora é certo, mas mais saborosa e honesta!

Por paixão clubistica ou pela pratica desportiva foram muitas as horas, dias, meses, anos que dediquei ao Belenenses!

O CFB é (mesmo) uma sigla da minha vida!

também posso?! mas não quero ser "presidente da junta de freguesia"!

Porque me irritam profundamente os airosos politólogos (com ou sem formação teórica e prática) que adoram escrever, como criadores de opiniões e verdades absolutas, principalmente quando o objectivo é mais a demagogia política que a praxis, não posso deixar passar isto que é em relação a isto sem tecer algumas considerações (sim, porque mesmo não pretendendo ser alpinista política, também tenho direito a escrever sobre o que bem me apetece, embora e claro está, não tenha direito a publicidade em jornais nacionais! e a minha opinião não pretenda ser um mandamento face a determinada conceptualização da sociedade em que vivo!, ainda por cima construída e estruturada com esse objectivo).

Como desconfio de blogs altamente publicitados e com poucos comentários (e isto não é demência, nem percepção alterada, quanto muito será paranóia, mas às vezes a paranóia é organizadora!), e não vá dar-se o caso de a censura ter sobrevivido a outros tempos, ou quiçá, voltar a estar na moda, reproduzo aqui o comentário que deixei nesse tão afamado reduto de participação democrática, onde colaboram alguns amigos meus, e que para meu descanso continuam a trabalhar pela democracia fora da blogosfera (é que para escrever, na blogsfera ou fora dela, até pode haver gente com muito jeito, para trabalhar, fora da blogosfera, é preciso ter mais alguns recursos que não os da má língua ou má escrita!):

"Talvez as dioptrias também se apliquem a pessoas que lêem uma coisa e interpretam outra, ou para isso tens outro nome?! O post que qualificas de «excelente» mais não passa de um fabrico de retalhos mal conseguido, o que para ser comprovado necessita apenas de leitura atenta da entrevista, onde não diz que não há corrupção, mas diz o seguinte:
"Avante - São conhecidas no entanto as fortes críticas feitas ao governo e ao presidente, as acusações de corrupção ao nível do aparelho de Estado, a existência de grandes desigualdades… Jerónimo de Sousa - É um facto. Mas devo dizer que neste momento sentimos haver um esforço claro do MPLA no combate à corrupção. Neste aspecto, pode dizer-se que, havendo um problema, não se sente a corrupção como um fenómeno instalado e em desenvolvimento, mas antes como uma situação que está a ser encarada e combatida pelo MPLA".
E quando dizes "descriminando ideológicamente tudo e todos, subordinando principios morais e éticos a metas politicas e a dogmas, torcendo a verdade", não me parece que seja o Jerónimo de Sousa que não tem percepção da realidade:
"Avante - É sabido que o PCP e o MPLA, apesar das suas relações de longa data, seguiram nos últimos anos caminhos políticos que estão longe de ser convergentes. Que apreciação é que fazes da evolução do MPLA desde que assumiu o poder em Angola? JS – Para fazer essa avaliação devemos ter em conta vários factores. Em primeiro lugar, temos a questão interna, marcada por uma situação de guerra, com todas as suas consequências devastadoras no plano económico, social e político. A nível externo, houve os acontecimentos a Leste, com a derrota do socialismo e com a desintegração da URSS. Estes aspectos, para além de levarem ao isolamento do MPLA, criaram a necessidade, como os próprios angolanos afirmam, de procurar «novos amigos», alargando as suas relações. Mas importa dizer que também nos reafirmaram – desde o presidente Eduardo dos Santos ao Bureau Político do MPLA – haver uma vontade inequívoca de manter e reforçar as suas velhas amizades, designadamente com o PCP.(...)Um dos problemas de fundo que importa ter presente é que a guerra – que durou mais de 30 anos – acabou há seis anos e que Angola ficou destruída, profundamente devastada em todos os aspectos essenciais para o desenvolvimento de um país: sem empresas, sem agricultura, sem infraestruturas, sem vias de comunicação… Outro dos problemas de fundo prende-se com a situação de Luanda, que passou de um milhão para cinco milhões de habitantes, com tudo o que isto representa de pressão social para a capital do país. De momento, por exemplo, não é possível a área do turismo ter ali qualquer desenvolvimento porque não há estruturas para isso. De qualquer forma, nota-se um esforço tremendo de reconstrução. Luanda parece um estaleiro, com obras de fundo por todo o lado. Estamos a falar de um país em crescimento económico acelerado, a reduzir o desemprego, a tomar as primeiros medidas ao nível da segurança social e da saúde, ou seja de evolução positiva. São mais as potencialidades do que os perigos de retrocesso".
Realmente só existe uma coisa pior que a falta de percepção, é a mentira consciente e construída com um propósito que não o de informar, mas com o de, e usando as tuas palavras, «descriminando ideológicamente tudo e todos, subordinando princípios morais e éticos a metas políticas e a [mitos], torcendo a verdade até esta quebrar e jurando que uma mentira mil vezes repetida se transforma em verdade». Mais cego é aquele que não quer ver!"

Mentira e PCP foi o labeling que usaram para tratar este tema. Como explicar a alguém que é do actual Governo que essa etiqueta se aplica é ao Governo PS, e há depauperização social, económica, cultural e educacional em que está a deixar o nosso país?! E depois, como a percepção dos militantes socialistas deve estar obscurecida por um chip do qual também tive conhecimento no referido blog, escrevem-se pérolas destas (e nem me dou ao trabalho de as diagnosticar para não ser acusada, quiçá, de fazer psicologia política!):
"devo salientar que na minha opinião as sondagens não aceleram os processos judiciais nos tribunais, não pagam os empréstimos ao banco, não antecipam as intervenções cirúrgicas nos hospitais nem reforçam o sentimento de segurança de ninguém. (...) Ultrapassada a barreira de metade do mandato, cumpridas que estão várias metas,superados que estão já muitos objectivos, muitas reformas em andamento, algumas a passo mais lento do que o desejável diga-se,fica apenas por demonstrar ao executivo socialista ter capacidade para absorver o impacto do arrefecimento económico mundial, em particular os efeitos do mesmo nas nossas exportações para Espanha, Alemanha e Estados Unidos da América, já ameaçadas pela "alta" do Euro. Julgo também que falta ainda provar que este Governo sabe resistir à tentação populista de governar a olhar para as eleições de 2009, a total inversão do caminho até aqui percorrido seria perniciosa e contraproducente".

É caso para dizer: "a realidade nem sempre é o que se percepciona"...

quinta-feira, abril 10, 2008

Sinais dos tempos

















Segundo o Prémio Nobel da Economia, Joseph Stiglitz a guerra do Iraque custou:
Dá que pensar: o que querem certas pessoas do mundo em que vivemos, a que aspiram, que mundo idealizam, que meios usam para atingir esses fins?!
Porque continuam a deixá-los dirigir o destino de cada indivíduo, se só lhes interessam os seus próprios objectivos?!

segunda-feira, abril 07, 2008

Empreendedor

Em Português a palavra empreendedorismo não existe.

No entanto, para quem apenas aplica a palavra empreendedor num contexto de capitalismo empresarial selvagem, deixo aqui a definição.


Empreendedor
Foram detectadas 2 formas.
empreender
Conjugar
de em + Lat. prehendere
v. tr.,

tentar, experimentar, decidir-se a fazer alguma coisa;
resolver;
pôr em execução;
v. int.,
cismar, sentir apreensões
.

Cassetes?!

Vou começar a ignorar posts que à partida falam de cassetes! - nesta era já existe blue-ray, tens que te manter a par das novas tecnologias - dado que partes do princípio que defendo um produto acabado do qual não tenho reflexão.
Depois, esclareço que não me ouviste ou viste falar mal de empresários empregadores. Só me ouves ou viste falar mal de empresários empregadores que tiram a mais valia dos seus empregados, vivendo como uns lordes e tratando-os como mão de obra barata.
Não acho que seja uma pessoa negativa, agora recuso-me a ser autista face ao mundo em que vivo olhando apenas para o que me agrada e não vendo a miséria que assola o nosso mundo. Aliás, tal como tu, aceito que "há sem dúvida um efeito depressivo numa grande maioria dos jovens que acabam o investimento que fizeram numa licenciatura" - e isto não é um pensamento negativo, é uma realidade, que advém da tal "pressão do meio familiar, a exigência e as expectativas que criaram".
Agora, não posso concordar quando dizes que "as mudanças que o tempo provoca na sociedade e na economia", porque quem cria mudanças são os homens e não o tempo, e quem dita as condições em que os homens vivem são os próprios homens, claro, uns mais do que outros pelos papéis que desempenham em sociedade. Tal como não concordo quando dizes que temos "um ensino que incute o culto do empregado por conta de outrem" - isso depende dos professores que apanhas na Universidade, do papel que para eles representa ensinar, do que estão dispostos a ensinar. Talvez faça sentido dizer que existem cursos para formar pessoas para trabalhar por conta de outrém, mas isso leva-me ao facto de a Universidade servir para criar cidadãos críticos que saibam pensar por si e daí que não devesse ter numerus clausus, dado que no espírito de ser empreendedor, aprender uma coisa não significa necessariamente que ela tem de ser usada para ter lucro.

domingo, abril 06, 2008

Positivo, Empreendedor e ....de Direita?

Cara Tânia

Este teu post motivado pelo meu anterior deixa-me absolutamente convencido que todo o pretexto é válido para se colocar uma cassete.
Se o meu comentário está baseado numa afirmação sobre licenciados, se falo sempre de licenciados e do emprego para os licenciados, é normal que ache que o tema é sobre desemprego dos licenciados. E não sobre os que têm uma formação académica diferente de uma licenciatura.

A força do pensamento positivo é uma expressão que de facto te causou alguns problemas. Assumo que deveria ter explicado melhor. Trabalhar mais e mais é uma coisa. Ter força para encarar o dia-a-dia e objectivos definidos que requerem muito trabalho e tempo para atingir é outra. Esta última frase define a importância de um pouco de pensamento positivo. Eu acho que muitos recém-licenciados não se esforçam o suficiente, o que não quer dizer que não haja muito esforço sem resultados em timings que consideremos razoáveis. Também me provoca cada vez mais confusão o tema das cunhas, mas guardo o tema para um post.
Como sabes estudei na Universidade e a grande maioria dos grupos que frequento é dessa espécie de jovens licenciados. O post que escrevi tem por base a vivencia das pessoas que me rodeiam. Acho que conseguirás entender que há sem dúvida um efeito depressivo numa grande maioria dos jovens que acabam o investimento que fizeram numa licenciatura. A pressão do meio familiar, a exigência e as expectativas que criaram, um ensino que incute o culto do empregado por conta de outrem, e as mudanças que o tempo provoca na sociedade e na economia, são factores que precisam de alguma força (força é = a positivo) para se superarem.

Eu assumo que o 25/4/1974 me provoca alguma confusão. Não pela data, não pela luta que foi travada, não pela mudança para a democracia, mas sim por uma parte dos ideais que provocaram uma estranha noção da relação entre liberdade e responsabilidade. A noção do trabalho e do peso do estado também me causam algumas comichões. Acho que o discurso para o operário/agricultor/funcionário, o sindicalismo controlado, a alergia excessiva aos empresários empregadores são chavões que não contribuem hoje para o desenvolvimento individual de cada português, assim como em nada contribuem para o desenvolvimento sustentável de um país livre e democrata. Parece-me também que a perspectiva de desconfiança e da negatividade é transversal a todos os partidos políticos, mas é próprio dos partidos mais à esquerda.

Admito que me faz confusão ver-te, uma pessoa cheia de força (e ter força é positivo), a emitir constantemente opiniões de semblante negativo.
Para culmirar este post pedir-te por favor que não utilizes o pior dos argumentos:
”Não te esqueças do que defendes se algum dia não tiveres o que comer, nem casa para viver, nem forma de sustentar a tua família”.
É que dá vontade de responder à letra e nunca fica bem.

sexta-feira, abril 04, 2008

precaridade laboral e empreendedorismo

Tiago, ainda bem que achas que a precaridade laboral e empreendedorismo andam de mãos dadas no sentido: não há emprego logo há maior empreendedorismo!
Depois também fazes a assumpção de que muitos dos licenciados não se esforçam, e encaras as dificuldades actuais como forma de os sujeitos se tornarem proactivos. Infelizmente a proactividade não existe porque se tem um curso e não existe trabalho. Quem tem tendência a ser proactivo sê-lo-á, com emprego ou há procura de emprego, ou de maneira a se safar na vida.
Outra assumpção que acho curiosa, é a de que quem se esforça tem sempre emprego. Ora, a prova é que mesmo estudando, com licenciatura, mestrado ou doutoramento não há emprego em determinadas àreas, porque aqueles que se safam na proactividade dos lobbys e compadrios muitas vezes ocupam lugares para os quais não têm habilitações - Portugal está cheio de pessoas proactivas como estas! Lembro-me por exemplo que o Governo teve que criar um programa que possibilite a absorção dos doutorados por parte das empresas porque existem n deles desempregados. Ah! Talvez a culpa seja deles, nunca se esforçaram!!!!!!
Depois pensaste apenas nos que estudam ou têm estudos, os outros, aqueles que ainda hoje têm o 9.º ou o 12.º ano, então ainda vivem em piores condições...
Não te esqueças do que defendes se algum dia não tiveres o que comer, nem casa para viver, nem forma de sustentar a tua família.
A precaridade laboral criada com o novo código do trabalho do PSD e agora a flexisegurança do PS (engraçado, um de direita e o outro de esquerda, no entanto olhando para as políticas laborais ninguém diria que são partidos diferentes) garantem ao nosso País uma autoestrada para o subdesenvolvimento social, cultural e económico.
Espero que estejas enganado, e que a minha geração saiba lutar pelos seus direitos e deveres não caindo na apatia profunda de que "a política não me interessa", "são todos iguais", "não há ideais", "direita e esquerda não existem", "direita e esquerda é tudo igual", etc.
Quando não há ideais não há pelo que lutar. O Ideal é algo a que se aspira. Se não aspiras a nada, o que tens para defender?!
Eu, ao contrário de ti, não acredito "na força do pensamento positivo", acredito no trabalho que se faz em vista dos objectivos que se têm.
Engraçado, sabes que no fim escreveste um contrasenso: acreditas que as pessoas têm que se fazer valer pelo seu esforço, e têm sempre que se esforçar mais e mais, mas depois dizes "acredito na força do pensamento positivo". Eu acredito na força da acção humana. Vivemos e somos o que construímos, aquilo por que lutamos.

É preciso imaginação!

Aviso já que pode ferir susceptibilidades...

Planeta PS (1)

Estudar em Portugal é um bom negócio. Sei que deve ser a única base para os comentários do ministro Gago sobre o desemprego dos recém licenciados.
Acredito que o jovem licenciado vê as coisas mais difíceis do que lhe venderam. O tempo da licenciatura igual a trabalhinho certinho e direitinho para a vida já acabou. E ainda bem.
A verdade é que é um passo difícil. As expectativas goradas e a noção que atingir os fins desejados requer mais trabalho e caminhos que não eram os esperados provocam um espírito depressivo. Mas a verdade é que felizmente nunca se falou tanto em empreededorismo e em criação das próprias oportunidades.
Como acredito na força do pensamento positivo (embora não frequente nenhuma seita) acredito também que se a nossa geração é a geração que deixa de ter as ilusões de Abril (podes escrever à vontade Tânia, que eu respondo).
Acho também que o ministro Gago ou é demasiado positivista ( há nomes mais feios para descrever um “demasiado positivista”) ou vive mesmo noutro planeta*.


Planeta PS – onde as coisas normais não acontecem com regularidade.

quinta-feira, abril 03, 2008

Crise de confiança

Fui enganado. Espeto sempre uma treta ou outra no dia das mentiras mas desta vez foi ao contrário. Não foi nenhuma brincadeira estilo o Sócrates é Gay ou qualquer coisa assim do género. Não. Foi uma notícia desse grande jornal educador de Portugal: a bola.
Normalmente sei que têm sempre lá uma peta ou outra, mas desta vez eu escolhi acreditar que a águia do Benfica tinha fugido do estádio nos treinos!! Ridículo. A minha crença neste meu clube esta época é tal que acreditei logo que depois dos adeptos até a águia fugiu do estádio da luz.
Faz-me lembrar a confiança que tenho neste governo.

quarta-feira, abril 02, 2008

Genericamente falando

Os génericos vão baixar o preço. A poupança estimada é de 5.000.000€ para os utentes e de 10.000.000€ para o nosso governo.
Acho curioso este fenómeno. Nunca quis entender as forças do bloqueio aos genéricos no nosso mercado. Considero altamente positiva esta forma de vender medicamentos.
Imagino que ainda seja cedo para se fazer uma comparação efectiva do nivel de consumo dos portugueses em comparação com outros paises com mais anos de exposição a este negócio farmaceutico. No entanto acho imensa piada ás recorrentes entrevistas de rua: a grande maioria dos tugas entrevistados não gosta dos genéricos. De marca é que é!!
Só a falta de dinheiro na carteira é que verga esta gente a abordagens mais lógicas na gestão da carteira no dia a dia. Coitado do Sócrates....

segunda-feira, março 31, 2008

vira o disco e OTA o mesmo????

Instituto da Natureza chumba aeroporto em Alcochete

verdade, verdadinha!

A partir de amanhã, dia 1 de Abril, eu, Palmilha e James, também vamos andar a postar por outras bandas. Curiosamente, num blog com conceito similar.

domingo, março 30, 2008

a aluna, o telemóvel, a professora, ...

Não percebo porque tentam fazer destes miúdos um exemplo de punição ao invés de resolverem efectivamente a situação!
Claro que a rapariga merece ser penalizada, bem como os seus colegas que nada fizeram, aliás nada fizeram no sentido de defender a professora ou chamar a sua colega ao "bom-senso". Contudo, as Instituições que são bem mais "instruídas" e conhecedoras dos problemas que levam a este tipo de comportamentos não mostraram, nem mostram, agilidade suficiente para lidar com o assunto, e como o povo reclama justiça lá se vai com a miúda para o Tribunal de Família e Menores de Matosinhos para apurar a eventual responsabilidade criminal da jovem. E a responsabilidade dos pais desta miúda?! Não são chamados à atenção, não avaliam o comportamento familiar, apenas o da miúda?!
Acham que por mostrarem mão de ferro numa situação destas voltam a dar força aos professores?! Não me parece, é sim mais uma operação de marketing governamental. No entanto a educação das crianças e adolescentes de hoje vai continuar à deriva, porque os professores não têm meios que lhes possibilitem a manutenção da autoridade. Ainda hoje penso que se a professora tem enfiado um tabefe na miúda que tivesse sido filmado, como seria o cenário?! Puniam a professora também?! No meio daquela exaltação e luta pelo telemóvel nem sei como a professora não teve essa reacção...
É óbvio que existem outras formas de exercer autoridade, a professora podia ter posto a aluna na rua com falta, mas para fazer valer o seu ponto de vista e dada a situação inesperada de troca de papéis, nem sequer pensou nisso. Contudo, parece-me que as soluções apontadas não solucionam o problema. Servem apenas para acalmar os ânimos. A nível estrutural vai ficar tudo na mesma.
Sempre que acontecer uma situação destas vão levar os miúdos a Tribunal de Família e de Menores?!
Os pais destes miúdos nunca vão ser chamados à responsabilidade que têm de os educar?!
Não os vão obrigar a frequentar cursos de formação cívica ou prestar serviços à comunidade?! Acreditam mesmo que o problema de falta de autoridade acontece apenas na escola com os professores e não em casa com os seus pais do mesmo modo?!
Vão culpar a existência de telemóveis e proíbi-los ou vão ensinar às crianças e adolescentes como usar as novas tecnologias?!
Afinal o que se pretende?! Educar indivíduos que pensem, sejam capazes de avaliar as situações, ter espírito crítico, integrá-los na sociedade, agir em prol da sociedade em que vivem para que sejam cidadãos, ou pretendem retirar-lhes os intrumentos que lhes permitem um desenvolvimento pessoal e social capaz para que possam viver em democracia com os seus pares, respeitando valores e querendo ser respeitados?!

Honestidade Intelectual

imparcial:adj. 2 gén., que não é parcial;que apenas procura a verdade;justo;recto;equitativo;neutral.

Gosto muito da expressão "honestidade intelectual".
Portugal é um país fabuloso. Somos é um povo demasiado desconfiado e com uma noção de relações de poder demasiado vincada (para não falar na história basta olhar para o perfil de politico respeitado em Portugal).
Parece-me que este escudo da imparcialidade é mesmo isso, um escudo. E esconde exactamente o oposto. Parece a típica atitude dos homofóbicos que são homossexuais.
Uma inteligência social com um pouco mais de honestidade intelectual e um pouco mais de confiança e este Portugal dava-nos mais orgulho.
Como em tudo, os exemplos começam nos ícones e nos líderes.

Acho que podíamos colocar um anuncio no expresso empregos:
PROCURAM-SE LÍDERES COM HONESTIDADE INTELECTUAL PARA PM DE PORTUGAL!

sábado, março 29, 2008

imparcialidades

Tânia,

No teu último post tocaste numa questão bastante pertinente e que é mais um exemplo de alguns defeitos da mentalidade portuguesa, o facto de os jornais (e outros órgãos de comunicação social) serem "totalmente imparciais" e não serem alinhados com qualquer ideologia ou inclinados à esquerda ou direita.

Seremos dos poucos países, pelo menos dos que se pretendem afirmar como evoluídos, em que tal acontece.

Mesmo aqui ao lado, em Espanha, quando vamos comprar um jornal, sabemos desde logo que o El Pais é mais próximo do PSOE e o ABC é um jornal mais conservador.

E o mesmo se passa por essa Europa fora.

Só aqui, neste país que tanto amo, é que continuamos a fingir que nada disso existe ou deve existir.

Em vez de se "jogar ás claras" e afirmar claramente um posicionamento político, que não tem necessariamente de ser partidário, continua-se a lançar "areia para os olhos" dos leitores. Uns deixam-se levar, alguns nem por isso.

Houve uma excepção à regra. Luís Osório quando era Director do jornal A capital, afirmou em editorial que, em determinada eleição, apoiava um partido.
Na altura não gostei, mas aplaudi! Curiosidade, o jornal já não existe!

Outros exemplos podem ser dados de temas em que se deveria “jogar às claras”, houvesse coragem política para tal. Querem falar de Lóbi?

sexta-feira, março 28, 2008

não existem leituras "imparciais"

Querias que te explicasse a posição do PCP face à situação do Iraque e do Tibete, logo nada melhor que um artigo escrito por comunistas onde explicitam o seu ponto de vista para o fazeres. Não faria sentido era facultar-te algo fundamentado em ideias neoliberais e imperialistas para explicar a posição do PCP. Certo?! Até porque essas tu conhece-las e por isso é que te faz confusão a posição do PCP. O que me leva a outro ponto, não faz sentido para ti a posição do PCP porque a "lês" com base na tua experiência política, pessoal de vivências, valores e ideiais, e isso faz com que a tua visão tal como a minha não seja "imparcial" mas contextualizada por tudo o que atrás referi. Dizer "imparcial" retirarira o subjectivo que existe em todos nós e isso não é possível!
Além disso, não há imprensa ou leituras dos media "imparciais" tal como não há das pessoas individualmente, porque as pessoas enquanto parte de um tecido social desempenham cada uma delas a sua função e têm uma história e uma subjectividade que as faz contextualizar o que percepcionam diferentemente de sujeito para sujeito. Daí que os media para parecerem aquilo que não são recorram a fontes supostamente credíveis, normalmente institucionais. Estas fornecem informações para uso imediato, o que quer dizer que uma parte do trabalho já foi concretizado.
As fontes oficiais (intérpretes primários e definidores primários) são as mais importantes uma vez que possuem o monopólio das categorias de informação necessárias à compreensão de determinado assunto. Sem estas, o assunto não pode ser inteiramente discernido, uma vez que falta a informação chave. Becker (1972) com a sua "hierarquia da credibilidade" explicava que é mais provável a aceitação das definições dos sujeitos considerados distintos, ou que ocupam lugares de poder na sociedade, em contraposição à generalidade da população. O que me leva a Ericson (1991, p.349) para quem as notícias "são em primeiro lugar uma conversa pública entre jornalistas e os membros do governo” - dá que pensar!
O produto inicial não é o mesmo a que os leitores vão ter acesso. Há todo um trabalho de apropriação da informação, tratamento, escolha por parte do jornalista que também assenta na sua subjectividade e respectivo livro de estilo, e assim os media impõem os seus próprios critérios. Normalmente os critérios de selecção do que é uma notícia são comuns à maioria dos jornais, no entanto são utilizados, avaliados e operacionalizados de formas diversas por cada um deles (Critcher et al., 1993). Estas diferenças, bem como as diferenças ao nível da organização e estrutura técnica e ao nível dado à regularidade dos leitores, levam à formação de “personalidades sociais”.
“É quando a própria «personalidade social» de cada jornal entra em acção – que começa realmente o trabalho de transformação” (Smith, 1975, cit. in Critcher et al., 1993, p.12), que faz com que exista um “modo de discurso regular e característico” (Critcher et al., 1993, p.232). Esta é a base da reciprocidade produtor-leitor, na qual a linguagem utilizada pela imprensa ao nível da retórica, partilha de conhecimentos comuns e imagens, constitui a “própria versão do jornal da linguagem do público a que se dirige principalmente” (Critcher et al., 1993, p.232).
Acontece que num jornal com cariz partidário as pessoas assumem à partida que o lêem porque se identificam e defendem os mesmos valores (a nível global). Contudo, muitas vezes se cai no erro de achar que ler um Público, um Expresso, um Sol, um Correio da Manhã ou um Diário de Notícias é ler imprensa "imparcial", tal não será verdade. Já temos desde há largos anos alguns trabalhos feitos em Portugal nesta àrea que podem ser vistos em revistas como a Vértice, a Comunicação e Linguagens, entre outros estudiosos, professores e investigadores, como Nelson Traquina ou Fernando Correia.
Referências:
Becker (1972). “Labeling Theory Reconsidered,” Deviance and Social Control, edited by Paul Rock and Mary MacIntosh. London: Tavistock;
Critcher, C., Clarke, J., Hall, S., Jefferson, T., & Roberts, B. (1993). A produção social das notícias: O “mugging” nos media. In N. Traquina (Org.), Jornalismo: Questões, teorias e “estórias” (pp. 224-228). Lisboa: Vega;
Ericson, R. V., Baranek, P. M., & Chan, J. B. L. (1991). Representing order, crime, law, and justice in the news media. Toronto: Open University Press;